Realizada há 27 anos no verão baiano, a mostra gratuita desta edição é resultado de cinco oficinas desenvolvidas no Museu de Arte da Bahia, em parceria com o IPAC/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia
O Teatro Vila Velha ocupa o Museu de Arte da Bahia (MAB) no dia 28 de janeiro, às 10h, com a Mostra das Oficinas Vila Verão, na 27ª edição da Mostra Vila Verão, que integra “O Vila Ocupa a Cidade”, na temporada Verão nos Museus. Em diálogo com os diversos espaços do MAB, os participantes, a partir de suas vivências nas oficinas, criaram o que será apresentado na Mostra. Resultados do “Ateliê de Escrita Dramatúrgica”, orientada pela atriz e dramaturga Mônica Santana e pelo multiartista Diego Araúja; “Teatro para Iniciantes”, com a atriz e diretora Chica Carelli; “Sinfonias solo – Teatro pós-dramático de Sarah Kane” Oficina de Atuação Teatral, com o ator e diretor Celso Junior; “Poética das distâncias: entre performance, teatro e poesia”, com o dançarino e performer Martin Domecq; e “Zootomia” – com o ator, dançarino e coreógrafo Ariel Ribeiro.
A proposta da Mostra Vila Verão 2024 é ocupar e refletir sobre os museus como espaço de representação e memória coletiva. Mas, também, como espaço de poder. A partir do conceito “CONTEMPLAR – ATUAR – SER CONTEMPLADO”, provoca o curador e diretor artístico Márcio Meirelles: “Que parte da minha memória está guardada num museu?”
As oficinas e a Mostra têm o patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia através do Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural da Bahia (IPAC) / Museu de Arte da Bahia (MAB).
OFICINAS VILA VERÃO
As oficinas realizadas, cujos resultados farão parte da mostra, são as seguintes:
15 sinfonias solo – oficina de interpretação teatral, teatro pós dramático com Celso Jr
O ator, diretor e professor de teatro, Celso Jr., traz à cena proposta de “15 sinfonias solo”, uma mostra/instalação com solos e um dueto, a partir de trechos da peça “Psicose 4.48”, da autora britânica Sarah Kane, falecida de 1999, aos 28 anos de idade. O processo partiu de alguns procedimentos de encenação apontados por Hans-Thies Lehmann, em seu livro “Teatro pós-dramático”. “As cenas são simultâneas, com repetições de gestos e posturas corporais, ocuparão a área do Museu de Arte da Bahia onde estão expostas as obras de Rodin, que foram a inspiração para as posturas corporais dos atores e atrizes. A ideia é criar uma “perturbação da ordem”, sem articulação de tramas, com superfícies dialógicas superpostas, dialogando com o espaço do Museu e com as figuras enigmáticas de Rodin.
Teatro para iniciantes com Chica Carelli
A oficina teve como objetivo desenvolver a percepção e a criatividade individual do ator conjugada à construção coletiva do trabalho teatral. Foram realizados exercícios de aquecimento e dinâmicas coletivas envolvendo trabalho de corpo e voz, jogos de improvisação voltados para a criação de personagens e cenas que serviram de base para construção da pequena mostra cênica que será apresentada na mostra.
Poética das distâncias: entre performance, teatro e poesia – com Martin Domecq
Foram trabalhadas performaticamente as distâncias entre nossos corpos como dimensões poéticas de nossas relações: distâncias espaciais, identitárias, temporais. O que encurta uma distância e o que a estica? O que constitui a potência poética das distâncias? A distância como condição do movimento, da dança, do encantamento. A partir de poemas que trazem esse tema e foram realizadas experimentações espaciais no museu, buscando trazer os contrastes, tensões e possibilidades dessa urdidura invisível de espaços-tempo que nos atravessam. A mostra traz a interface entre teatro, performance, dança e poesia.
Zootomia – com Ariel Ribeiro
Zootomia baseia-se na anatomia e no movimento dos animais, mas principalmente propõe que o Corpo Humano seja entendido como o de um bicho, e através das ferramentas instintivas, físicas e emocionais investiga suas próprias portas e gavetas corporais para poder compor sua dramaturgia corporal cênica.
O corpo como dispositivo primordial da cena, através das ferramentas e manobras de ritmo, força, respiração, torções, sequências e sonoridades. A imersão foi um processo de investigação de movimentos e partituras corporais fora do eixo comum, o praticante pode absorver e explorar a capacidade de compor sua performance utilizando essas ferramentas para construção de dramaturgia e partituras cênicas coletivas e individuais.
Ateliê de Escrita Dramatúrgica – com Mônica Santana e Diego Araúja
A partir da ocupação e da visitação do Museu de Arte da Bahia, o Ateliê de Escrita Dramatúrgica promoveu uma série de exercícios disparadores de escrita, com foco no gênero dramático, explorando o olhar para o espaço, como um disparador para criação. A ministrante conduziu práticas que envolveram a observação da noção do repertório dos participantes, suas memórias, vivências e o espaço do museu, sua aura e as representações que envolve. Ao longo dos encontros, as pessoas participantes produziram apontamentos de cenas e uma primeira estrutura dramática a ser desenvolvida individualmente. Ao final da oficina, as pessoas partilham na mostra trechos da sua obra em desenvolvimento.
“O Vila Ocupa a Cidade”
O programa “O Vila Ocupa a Cidade” é uma série de ações, criações e colaborações que mantém o Teatro Vila Velha atuante e presente, ao longo de 2024, em diversos outros teatros e espaços culturais, enquanto durar a reforma.
Prestes a completar 60 anos, o Vila prepara-se para essa obra de reforma, financiada pela Prefeitura de Salvador. Por essa razão, “O Vila Ocupa a Cidade” mantém o eterno movimento de expansão das atividades do teatro por diferentes espaços da capital, previstas para os próximos meses. Assim, o Vila se mantém em atividade, e agrega novos públicos. É a marca de um espaço sempre em experimentação, formação artística e constante diálogo com a sociedade.
Durante toda a sua trajetória, o Vila presta ininterruptamente serviços ao país, formando artistas, coletivos e estéticas, produzindo conteúdos inovadores, refletindo e debatendo questões urgentes da sociedade e construindo políticas culturais de inclusão e acesso, em parceria com comunidades, instituições, grupos e festivais de diversos municípios, estados e países.
O Teatro Vila Velha conta com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.






